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Dalton Trumbo saberia responder à letra aos socialistas...

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 29.06.10

Faz-nos falta um Dalton Trumbo, um dos argumentistas que preferiu ser preso a responder a perguntas do domínio privado, esse território que o Estado não pode invadir ou controlar: o pensamento, a opinião, a vida privada, a forma como cada um a organiza, a família. Dalton Trumbo, um dos Hollywood 10, defendeu, por uma questão de princípio,  a sua liberdade de expressão... Qualquer um com dois dedos de testa perceberia que a sua atitude nunca poderia ser de um comunista. O amor à liberdade, quando muito, só poderia ser entendido por um anarquista, mas este termo já está muito adulterado. Dalton Trumbo é um rebelde, um homem verdadeiramente livre, responsável por si próprio e que pensa pela sua própria cabeça. Ora, a autonomia é o principal obstáculo à domesticação e escravização do cidadão pelo Estado. Que tentará intimidar o cidadão rebelde. Com Dalton Trumbo, cortando-lhe a possibilidade de trabalhar e de se sustentar, reduzindo assim drasticamente o seu nível de vida, fazendo-o passar necessidades. Mas há muitas outras estratégias: subsidiando-o, por exemplo; comprando o seu voto; prometendo-lhe mundos e fundos, que nunca serão para cumprir; assustando-o com o caos se não apostar neles; intimidando-o com processos judiciais (aqui o fisco é óptimo para essas coisas de exigir primeiro e verificar depois). Sim, há muitas formas de condicionar e controlar o cidadão.

 

Por cá o Estado mete-se em tudo o que é do domínio privado (que só diz respeito aos cidadãos), e não dá conta do recado do que é do domínio público (e das suas funções). Já vivemos num verdadeiro país socialista. Agora é que começamos a perceber o que passaram os nossos amigos de leste: a RDA, a Checoslováquia, a Polónia, etc. Pobreza para a maioria, riqueza para a classe política. Mas estava eu a falar da coscuvilhice do Estado (magnífico termo do CDS!) e de um abusivo controle das vidinhas dos portugueses.

 

Três exemplos, para já:

- a Educação Sexual obrigatória das crianças, cuja análise iniciei aqui e continuei aqui;

- o Censos 2011 com questões de natureza privada (já viram alguém perguntar a alguém: qual é a sua orientação sexual?), em que nem os sem-abrigo escapam, o que mais parece uma sinalização de casos (já para não falar dos 43 M€ que vai custar!);

- os bancos vão ser obrigados, segundo percebi, a revelar os juros que os seus clientes recebem pelas poupanças (!). Agora atiram-se às poupanças dos mais sensatos(!). Já não sabem onde ir esmifrar...

 

 

publicado às 18:56

Se alguns de nós se derem ao trabalho de ir ao baú jornalístico e blogosférico, ficarão surpreendidos: durante uns três anos, pelo menos, o actual PM foi considerado o reformador. De forma acrítica ou oportunista (das duas venha o Diabo e escolha), as nossas elites culturais (porque se consideram assim) foram estudando a personagem, adivinhando a mente fértil da personagem, admirando a sua energia sem limites, a sua quase omnisciência, clarividência e ubiquidade, sem se importar muito com os sinais claríssimos da sua lógica egocêntrica, da linguagem do poder.

O PM podia gritar e esbracejar na AR, dar liçõezinhas de moral socialista à esquerda e à direita, repetir até à exaustão a sua receita milagrosa, ninguém parecia reparar. Agora, subitamente neste verão, todos acordaram para a realidade?

Acordaram (ou deixaram de ter vantagens pessoais e colectivas) e desvendam-nos aquilo que todos nós, os simples cidadãos, já vimos há muito tempo?

 

É que agora a torneirinha acabou e o desastre pode mesmo tocar nos privilégios das nossas elites culturais (porque se consideram assim). Quando eram só os cidadãos, ninguém queria saber. Quando era só a província, ninguém queria saber. Mas agora também são as capitais do sul e do norte, onde as elites culturais se movem.

 

É por isso que a opinião das nossas elites culturais não é muito de fiar. Nem nos devemos deixar intimidar, como simples cidadãos, pelas suas críticas manipuladoras. E isto vem a propósito da reacção à insatisfação legítima de alguns cidadãos relativamente ao actual Presidente. O tempo nos revelará quem viu o filme a tempo e quem se ficou à sombrinha da derradeira hipótese de protecção dos privilégios das elites culturais: o actual Presidente e o seu bloco central em formação, ou uma maioria absoluta do actual PSD. Mesmo que à custa da pobreza generalizada, da desmoralização generalizada, da confusão generalizada.

 

Neste filme só os cidadãos pagam a factura e sofrem as consequências da gestão danosa socialista, vai uma apostinha?

 

 

 

Iluminado nº 1: Das nossas elites culturais (porque assim se consideram), surge desde logo uma voz que se farta de enviar mensagens para a estratosfera mas que aterram apenas no terreno da sua quintarola: o PS. O veterano ex-Presidente não está para se reformar das mensagens ao povo. Ele são crónicas que poucos lêem, ele são frases bombásticas, mas o povo parece ignorá-lo sabiamente. Afinal, apenas o seu PS terá a dimensão encefálica para seguir a sua agendinha...

 

Iluminado de última hora: mais um exemplo da lógica das elites culturais (porque assim se consideram), desta vez um cientista, rendido às mensagens socialistas, a querer legitimar com a ciência e a conversa do ADN (e a ligeireza e arrogância com que arrumam numa mesma fórmula ADN com pessimismo é verdadeiranmente aterradora): Sobrinho Simões. Primeiro, ao vê-lo sentado num colóquio ou seminário, ao lado de Almeida Santos, ainda pensei que se tratava de mais um candidato do PS à presidência da República, só depois percebi que era o Grande Diagnóstico Médico-científico do ADN português, o Explicador da crise! Está finalmente descoberta a razão da crise: o povo português tem um espírito negativo.

Ora que grande chatice! O povo português já não quer colaborar, já está farto de trabalhar, agora deu-lhe para fechar as empresas, para emigrar... O povo português não acredita no futuro do país, no seu próprio futuro, desmoralizou, provavelmente cansou-se de pedalar em seco para sustentar as elites culturais e políticas.

Se as elites culturais e políticas fizessem uma auto-avaliação iriam chegar a outras conclusões bem mais plausíveis e científicas.

 

 

publicado às 10:05

"Como é que pudemos deixar que isto acontecesse?"

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 15.06.10

Foi esta a pergunta que Ernâni Lopes formulou no Plano Inclinado da Sic Notícias, com o Mário Crespo e a participação de Medina Carreira e de João Duque: Quando daqui a uns anos olharmos para trás havemos de perguntar, como é que pudemos deixar que isto acontecesse?

Isto: anos decisivos perdidos, desbaratar recursos, levar um país à bancarrota.

Parece que ninguém diz a verdade aos portugueses sobre a sua situação real e o seu futuro mais próximo: empobrecimento até à pobreza efectiva em 2013, 2014, quando começarem a cair os encargos associados e acessórios que esta gente que não sabe fazer contas e que nos governa (palavras de Medina Carreira) nos preparou.

Parece também que o sistema de segurança social não se segura muito mais tempo, e o prazo pode ir de 10 a 30 anos no máximo, segundo percebi. Parece que o filme acaba mal e mais cedo do que se julga.

 

Esta é a dimensão da fraude política em que vivemos: quem nos governa não diz a verdade, esconde o essencial, para se manter no poder e continuar no rumo que nos vai levar à auto-destruição.

Como quem nos governa não nos diz a verdade e martela a ficção nacional nas televisões e nos jornais, ainda podíamos contar com a oposição, não é?

Não. O maior partido (apenas em tamanho e também por um equívoco, porque na realidade o "novo PSD" ainda não foi a votos) também não nos diz a verdade e dá uma ajudinha ao governo para segurar os alibis: crise internacional, malvadas das agências de rating, pela salvação nacional, o patriotismo...

O BE também não diz a verdade e nem sei se algum dia verá sequer a verdade, mesmo que tropoce nela, fila a grande finança e segura o TGV e o grande investimento público.

O PCP lembra-se do cidadão comum nos seus discursos, e a sua ideia de patriotismo soa muito mais autêntica e credível que o do plastificado "novo PSD", mas falha também nas soluções, e segura, de forma incompreensível, o TGV.

A única oposição digna desse nome está, pois, a cargo do CDS. Mesmo que as vozes que apoiam o "novo PSD", este híbrido que procurarei analisar melhor nos próximos tempos, venham comparar a sua atitude "responsável", pelo "país", pela "salvação nacional", não soam nada credíveis. Apoiar o governo para esmifrar o contribuinte? Grande salvação nacional...

 

E já me desviei do Plano Inclinado. O 31 da Armada também incluiu Ernâni Lopes e Medina Carreira no grupo de vozes que nos dizem a verdade, e acrescentaram Ribeiro Telles, já o referi no post anterior. Eu ainda colocaria Bagão Félix que tem sido uma voz de certo modo solitária a alertar os portugueses, e isto desde o OE 2008 que apelidou de "eucalipto".

 

A pergunta impõe-se já, não daqui a uns anos: Como é que pudemos deixar que isto acontecesse?

Uns por acção (o governo, o jornalismo caseiro, as televisões, etc.); outros por omissão (o Presidente, parte da oposição, o Banco de Portugal, a Procuradoria Geral da República, A Justiça, etc.); e outros ainda por alienação voluntária (os eleitores que voltaram a apostar nesta equipa política); todas as personagens principais do filme representaram o seu papel e não poderão escapar à avaliação histórica.

 

Na pequena escala das nossas vidinhas insípidas também podemos fazer estragos. Mesmo que procuremos evitar prejudicar outros, magoar outros, isso acaba por acontecer. É certo que há pessoas que o fazem de boa vontade, até sentem prazer em prejudicar e magoar o próximo, controlar e dominar, podendo chegar à patologia de o querer destruir.

Na grande escala, isto adquire outra dimensão. E se os travões de segurança não funcionarem, acontece o que deixámos acontecer, e não apenas a bancarrota, a destruição da economia, o desequilíbrio regional, as diferenças acentuadas de ricos e pobres, mas a maior fractura de todas, a ética e moral, tudo o que estrutura uma sociedade: a mentira generalizada, os abusos de poder, as amolgadelas na Justiça, os pontapés na Constituição.

 

 

publicado às 10:16

Não avisei que o chantagista volta sempre à carga?

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 03.06.10

Sei que é irritante ouvir isto de alguém, mas não sei como dizê-lo de outro modo: não avisei que o chantagista volta sempre à carga? Pois é. Aí o têm, embora a gaguejar um pouco mais, mas ainda assim agarrando-se aos argumentos do chantagista vulgaris.

É caso para perguntar: e isto passa-se e ninguém pode impedir este abuso inconcebível? Abuso não apenas do acto em si, mas também dos argumentos utilizados.  (*)

 

E tudo isto leva-me à pergunta seguinte: até onde vai esticar o pragmatismo político do actual Presidente? O que o fará reagir? Um estrondo? Mais um susto? Uma nova subida de impostos? A escravização total dos cidadãos portugueses? A entrada do FMI (esta talvez seja mesmo a nossa salvação)? A perda total de soberania?

 

Resolve-se tudo assim, regime e tudo: o país, por este andar, fecha devido a falência e já não haverá país para um segundo mandato.

 

 

(*)  Ups! Afinal ainda é pior!

 

 

publicado às 01:05


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